sábado, 25 de fevereiro de 2017

Crítica: LEGO Batman: O Filme, ‏através de Marcelo Castro Moraes.


Fonte: www.google.com.br/imagens


Ao longo dos quase oitenta anos de vida, Batman já passou por diversas versões, tanto nas HQ, como também em desenhos animados, séries e longas-metragens. Para nunca ficar fora de moda, o personagem foi se atualizando sempre de acordo com a sua época. Se os anos 60 eram paz e amor, ele tinha que seguir essa cartilha, mas se os anos 80 eram sombrios, o personagem se tornaria então durão, violento e assim por diante. Mas uma coisa que todas essas adaptações têm em comum é de não ter explorado do por que o personagem sempre querer ser solitário. Tudo bem que ele é um personagem trágico, pois ele se tornou o que é graças ao fato dos seus pais terem sido assassinados por um criminoso quando era apenas uma criança. Contudo, será que é realmente necessário o personagem ser assim tão pouco sociável?

A resposta para isso se encontra LEGO Batman: O Filme, longa-metragem derivado do criativo Uma Aventura Lego, onde essa versão do Batman havia aparecido como coadjuvante pela primeira vez e que roubava a cena. Naquela versão, Batman era uma pessoa egocêntrica, se achando o maioral e sempre querendo fazer todo o trabalho sozinho. Aqui conhecemos então o lado mais pessoal do personagem, onde toda a mitologia criada por inúmeros roteiristas ao longo das décadas é colocada num único filme e se tornando então uma bela homenagem.

Dirigido por Chris McKay, acompanhamos mais um dia de luta do Batman contra todos os seus piores inimigos e liderados pelo seu maior adversário o Coringa, Após a vitória, surge na cidade Barbara Gordon, para suceder o seu pai no trabalho e decidindo então criar uma força policial que tenha poder o suficiente para que não possa depender somente do Batman para combater o crime na cidade. Isso acaba desencadeando eventos nos quais irá fazer o protagonista tomar decisões precipitadas, mas ao mesmo tempo, fazendo com que ele se conheça realmente.

Embora a trama possa aparentar simplicidade, ela acaba desencadeando inúmeras sub tramas, mas que jamais confunde quem está assistindo, mesmo quando os roteiristas injetam inúmeras cenas de ação para encher os olhos. Na realidade o coração do filme se encontra em temas com relação à família, na qual o personagem começa entender o seu significado, principalmente quando adota (por acidente) Dick Grayson e que posteriormente se tornaria o Robin. É muito divertido vendo o personagem tendo quer ser pai de forma involuntária, gerando piadas a todo o momento, que vai da sátira para homenagens que os fãs de carteirinha irão identificar facilmente. Falando em homenagens, o filme não se restringe a somente ao universo do homem morcego, como também surge à participação, mesmo que rápida, de outros heróis da editora DC como Superman. Como a rivalidade dos dois ícones da editora se tornou notória, graças a Batman VS Superman no ano passado, era inevitável que houvesse referencias sobre os anos de desentendimentos entre os dois superamigos. Ao mesmo tempo, o filme tem um tempinho para homenagear até mesmo o clássico Superman de 1978, com o direito de até mesmo ouvirmos rapidamente a clássica trilha de John Willians. Como se isso já não bastasse, o filme ainda tem a ousadia de inserir a participação de outros vilões, de outras franquias que não são da DC, e inseri-los na trama. Liderados pelo Coringa, surgem os vilões popularmente conhecidos das franquias Senhor dos Anéis, Matrix, Harry Potter e até mesmo a participação de monstros clássicos como King Kong. Pode até parecer exagero, mas para fã cinéfilo ver todas essas referências na tela é um prato cheio, mas ao mesmo tempo o roteirista teve o cuidado para que tudo isso não virasse uma grande salada e dando sempre um espaço maior para o melhor desenvolvimento dos personagens principais.

Talvez, o maior trunfo dessa animação sobre o Batman, é não esquecer, da humanidade e complexidade desse personagem, mas que a gente se identifica facilmente. O ápice do filme se encontra no momento em que o personagem se dobra para os seus mais profundos sentimentos, mas nunca abandonando sua pose solitária, porém, abrindo a possibilidade de ser um pouco mais receptivo. Não é um momento no qual ele se torna uma piada, mas se tornando então uma figura mais humana e que aprende com os seus próprios erros.

Com todos esses ingredientes num único experimento cinematográfico, LEGO Batman: O Filme é uma divertida, nostálgica e bela carta de amor a esse rico personagem.


Trailer

Fonte: www.youtube.com

Fonte: Marcelo Castro Moraes - Crítico Cinematográfico.

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