sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Crítica: A GAROTA NO TREM, ‏através de Marcelo Castro Moraes.


Fonte: www.google.com.br/imagens


Certa vez o mestre Stanley Kubrick disse que livros medíocres rendem boas adaptações para o cinema, como foi o caso do seu ‘O Iluminado’, baseado na obra de Stephen King, livro que Kubrick achava uma péssima leitura. Já no caso do livro O Código Da Vinci que, mesmo possuindo uma curiosa leitura, rendeu uma péssima adaptação ao cinema e que se repetiu nas continuações. Embora eu seja suspeito, pois não li o livro. A Garota no Trem transita nesses dois pensamentos, sobre adaptação da literatura para o cinema, mas que felizmente funciona como filme e nos prende atenção até o final.

Dirigido por Tate Taylor (Histórias Cruzadas), acompanhamos a trama de Rachel (Emily Blunt), mulher solitária que vive observando os moradores de duas casas na qual ela passa durante a viagem. Certo dia, ela presencia algo diferente, fazendo com que ela embarque numa realidade crua de mistérios e investigação. Ao mesmo tempo, gradualmente, conhecemos um pouco sobre cada um desses personagens que ela observava e revelando o real de cada um deles. A trama principal é das mais previsíveis, sendo que ela poderia ser facilmente encontrada em outros filmes de suspense, principalmente aqueles criados a exaustão durante a década de 90. Porém, se a trama não ajuda pelo menos o cineasta Taylor consegue tirar leite da pedra, pois é impressionante como a sua direção segura consegue fazer com que a gente não saia da cadeira, mesmo quando a gente já tem uma base do real mistério da trama. Outro aspecto que ajuda a criar a vida do filme é a sua trilha sonora, onde cada personagem tem a sua e fazendo com que ela se torne uma parte de sua personalidade distinta. Novamente o mestre Danny Elfman (Edward: Mãos de Tesoura) cria mais um louro de trilha sonora, faz com que soe em nossos ouvidos de forma singela e fazendo com que a levemos para fora do cinema após a sessão.

Dificilmente Emily Blunt (Diabo Veste Prada) não deixará de aparecer nas listas das principais premiações cinematográficas dos próximos meses, já que aqui ela nos brinda com mais uma boa atuação. Mesmo com as limitações da trama, Blunt cria para a sua personagem, uma personalidade forte, mesmo quando aparenta um estado mental frágil e que transparece em seu olhar febril. Porém, a sua personagem não é a única da ala feminina que domina o filme, pois tanto Rebecca Ferguson (Missão Impossível 5) como Anna, como também Haley Bennett (Sete Homens e Um Destino) como Megan, são uma espécie de dois lados da mesma moeda, cujo os seus atos e consequências distintas nasceram a partir das atitudes inconsequentes da ala dos homens. Ambas as atrizes estão muito bem em cena e fazendo com que o elenco masculino, composto por Justin Theroux, Luke Evans e Édgar Ramírez acaba se perdendo em cena, e os momentos finais da trama salvam-se somente graças à entrega das atrizes.

Mesmo com os seus defeitos, A Garota no Trem é uma prova de boa adaptação da literatura para o cinema, mesmo quando ela nos soa decepcionante em momentos cruciais da trama.


Trailer

Fonte: www.youtube.com


Fonte: Marcelo Castro Moraes - Crítico Cinematográfico.

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